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O homem invisível: dados que mostram a desvalorização masculina

Suicídio, evasão escolar, mortes no trabalho e desamparo: há indicadores em que o homem está em desvantagem e quase ninguém fala. Veja os dados.

Leandro Moreira
Homem refletindo, simbolizando questões masculinas

Existem áreas da vida em que o homem está claramente em desvantagem — e, ainda assim, quase ninguém fala sobre elas. Não por má-fé, mas porque o sofrimento masculino aprendeu a ficar em silêncio. Os dados, no entanto, falam alto quando alguém se dispõe a olhar.

O índice que mudou a conversa

Em 2018, os pesquisadores Gijsbert Stoet e David Geary publicaram na revista PLOS ONE o estudo do BIGI (Basic Index of Gender Inequality). Em vez de medir só onde as mulheres ficam atrás, o índice considerou três dimensões básicas para os dois sexos: educação, expectativa de vida saudável e satisfação com a vida.

O resultado surpreendeu. Considerando esses critérios, os homens estão em desvantagem média em 91 países, enquanto as mulheres em 43. Nos países mais desenvolvidos há quase paridade, com leve vantagem feminina; nos menos desenvolvidos, são as mulheres que ficam para trás — sobretudo por terem menos acesso à educação.

Os autores fazem uma crítica importante: os índices tradicionais de desigualdade de gênero não medem desvantagens tipicamente masculinas, como punições mais severas pelo mesmo crime, o serviço militar obrigatório e as mortes ocupacionais.

Os números

Quando se olha para indicadores concretos, o padrão se repete:

  • Suicídio: nos EUA (CDC, 2022), a taxa entre homens é cerca de 4 vezes a das mulheres — um padrão que se repete em vários países.
  • Mortes no trabalho: nos EUA, em 2022, foram 5.041 mortes ocupacionais de homens contra 445 de mulheres — cerca de 92% do total.
  • População em situação de rua: em 2023, nos EUA, 68,4% eram homens.
  • Educação: meninos e homens vêm ficando para trás na escolaridade em muitos países, e os homens têm menor expectativa de vida saudável.

São números secos, mas cada um carrega vidas reais por trás.

Por que quase não se fala disso

Parte da resposta está na própria cultura. O homem foi educado para “aguentar”, “não chorar”, “resolver sozinho”. Pedir ajuda virou sinônimo de fraqueza — e o resultado aparece nas taxas de suicídio e na solidão masculina. Some-se a isso o fato de que muitos desses problemas são silenciosos: morrem em canteiros de obra, somem das estatísticas escolares, dormem nas ruas. Não há holofote, e por isso não há debate.

Não é competição

Reconhecer essas desvantagens não significa negar as questões femininas — que são reais e também importam. Violência contra a mulher, desigualdade salarial e tantas outras pautas seguem urgentes. A dor de um lado não cancela a dor do outro. Isto aqui não é uma competição de sofrimento; é um convite a enxergar o quadro completo.

Pedir ajuda não é fraqueza — é uma das formas mais maduras de força que existem.

Se você está passando por um momento difícil, procure ajuda. No Brasil, o CVV (Centro de Valorização da Vida) atende gratuitamente pelo telefone 188, 24 horas por dia. Falar pode salvar — inclusive a própria vida.

Olhar com honestidade para os dados não é diminuir ninguém. É reconhecer que uma sociedade só fica melhor quando cuida de todos os seus — homens incluídos.

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