Justiça: ser justo consigo mesmo e com os outros
A virtude que ordena a alma e regula a convivência, dos gregos aos estoicos.
Falamos de justiça como se fosse assunto de tribunais. Os antigos a entendiam de modo mais amplo e mais exigente: como uma disposição da alma. Ser justo é dar a cada um o que lhe é devido, inclusive a si mesmo.
A justiça como virtude cardeal
Ao lado da coragem, da temperança e da sabedoria, a justiça é uma das quatro virtudes cardeais. Para os estoicos, ela é a virtude social por excelência: aquilo que torna possível a vida em comum entre seres racionais.
- Não é mera obediência à lei escrita.
- É a constância de querer o bem devido a cada pessoa.
- É a harmonia entre o que se deve e o que se pratica.
A justiça interior, segundo Platão
Na República, Platão define a justiça da alma como cada parte cumprindo sua função: a razão governa, a vontade obedece, o desejo se submete. O homem injusto é aquele em guerra consigo, dilacerado por impulsos que se contradizem.
- Razão no comando: o juízo orienta a conduta.
- Ânimo a serviço: a vontade sustenta o que a razão decide.
- Apetite em ordem: o desejo aceita o lugar que lhe cabe.
Como praticar a justiça no dia a dia
- Honrar a palavra dada: o compromisso cumprido é a forma mais simples de justiça.
- Reconhecer mérito alheio: dar crédito a quem é devido custa pouco e vale muito.
- Tratar iguais igualmente: sem favorecer quem nos agrada nem punir quem nos contraria.
Justo até quando ninguém vê
A prova da justiça não está no que fazemos sob vigilância, mas no que fazemos a sós. Marco Aurélio lembrava que o homem virtuoso age corretamente sem plateia, porque a recompensa da justiça é ser justo.
“A justiça é a fonte de todas as demais virtudes.” — Marco Aurélio, Meditações
Comece por uma injustiça pequena que você comete consigo: a promessa adiada, o descanso negado. Ordenar a própria alma é o primeiro ato de justiça.