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Países onde as mulheres vão à guerra como os homens (e onde são poupadas)

De Israel à Noruega, alguns países convocam mulheres para o serviço militar. Veja onde elas servem como os homens — e onde são isentas.

Leandro Moreira
Mulheres soldados em serviço militar

Quando se fala em serviço militar obrigatório, a imagem que vem à cabeça quase sempre é a de jovens homens fardados. E não é por acaso: na maioria dos países que ainda têm conscrição, só os homens são convocados. Mas um pequeno grupo de nações decidiu chamar mulheres às mesmas fileiras — algumas em pé de igualdade, outras com regras próprias.

O que é conscrição

Conscrição é o alistamento militar obrigatório: o Estado convoca cidadãos para servir nas Forças Armadas por um período determinado. Segundo o Pew Research (2019), menos de um terço dos países do mundo mantém o serviço militar obrigatório — e, entre eles, a grande maioria não convoca mulheres. O dever de pegar em armas, na prática, ainda recai sobre os homens.

Países com igualdade total

Um punhado de países decidiu aplicar a conscrição a homens e mulheres nas mesmas condições formais:

  • Noruega: foi o primeiro país do mundo — e o primeiro da OTAN — a adotar a conscrição igualitária, em vigor desde 2015.
  • Suécia: retomou o serviço obrigatório em 2017, já incluindo mulheres.
  • Dinamarca e Holanda: também passaram a convocar mulheres em condições equivalentes às dos homens.

A lógica desses países é coerente: se homens e mulheres têm os mesmos direitos de cidadania, devem ter também os mesmos deveres.

Países onde elas servem em condições diferentes

Em outro grupo, mulheres servem — mas com regras distintas das aplicadas aos homens:

  • Israel é o caso mais conhecido. As mulheres representam cerca de 40% dos recrutas. Pelos dados de 2022, os homens servem 32 meses e as mulheres 24 meses. A obrigatoriedade vale para judeus, homens e mulheres; entre as minorias drusa e circassiana, só para os homens.
  • Eritreia é outro exemplo marcante: homens e mulheres treinam e servem lado a lado, com seis meses de treinamento militar.

Além desses, convocam ou empregam mulheres com condições próprias países como Mianmar, Líbia, Malásia, Coreia do Norte, Peru, Tunísia, Cuba e Bolívia.

Países onde só o homem é convocado

Na maioria das nações com conscrição, porém, persiste o modelo clássico: a mulher é isenta — ou, como se costuma dizer, “protegida” —, e o peso da defesa nacional recai sobre o homem. Entram nessa lista:

  • Coreia do Sul, Grécia, Turquia (homens de 21 a 41 anos), Finlândia, Lituânia, Singapura, Rússia e Irã.
  • Suíça, onde o homem que não serve paga uma taxa de cerca de 3% da renda, com mínimo em torno de 400 francos.
  • Brasil, onde o alistamento é obrigatório apenas para homens aos 18 anos; mulheres e clérigos são isentos, conforme o artigo 143 da Constituição.

O debate

Aqui mora uma tensão legítima. De um lado, quem defende a igualdade plena argumenta que isentar mulheres do dever militar é tratar a cidadania de forma assimétrica — direitos iguais deveriam vir com deveres iguais. De outro, há quem veja na isenção uma forma de proteção historicamente justificada.

Convocar só os homens não é, por si só, um privilégio masculino: é também uma obrigação que recai sobre eles. A igualdade, quando chega de verdade, costuma vir nos dois sentidos.

Não há resposta única, e os modelos refletem culturas e histórias diferentes. O que os números mostram é que o serviço militar obrigatório segue sendo, em quase todo o mundo, um capítulo predominantemente masculino — e que os poucos países que mudaram esse roteiro o fizeram em nome da mesma igualdade que tantos defendem.

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