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Onde o homem é mais valorizado? Um ranking possível (com ressalvas)

Não existe um índice oficial de 'respeito ao homem'. Mas dá para montar um ranking com base em leis simétricas, saúde masculina e apoio à paternidade.

Leandro Moreira
Homem valorizado na sociedade

Em quais países o homem é mais valorizado? A pergunta é tentadora, mas a resposta honesta começa por um aviso: não existe um índice oficial de “respeito ao homem”. O ranking que você vai ler aqui é interpretativo, montado a partir de critérios declarados — e com todas as ressalvas que o tema exige.

Por que não existe um índice oficial

Há índices consagrados de desigualdade de gênero, mas eles foram desenhados principalmente para medir onde as mulheres ficam atrás. Não há nenhuma medida internacional, ampla e aceita, que avalie sistematicamente a valorização do homem. Por isso, qualquer “ranking” sobre o tema é uma leitura — não um dado fechado. Vale dizer isso com todas as letras antes de seguir.

Os critérios deste ranking

Para tornar a leitura transparente, estes são os critérios que escolhemos olhar:

  • Leis simétricas: licença-paternidade robusta, custódia justa em divórcios e conscrição compartilhada entre homens e mulheres.
  • Investimento em saúde masculina: políticas públicas voltadas ao bem-estar do homem.
  • Baixa taxa de suicídio masculino: um indicador sensível do desamparo emocional.
  • Apoio cultural à paternidade ativa: o quanto a sociedade incentiva o homem a ser pai presente.

Os países que se destacam

Pelos critérios acima — sobretudo leis simétricas e apoio à paternidade —, os países nórdicos aparecem na frente. Eles combinam licença-paternidade generosa com conscrição igualitária (Noruega e Suécia convocam homens e mulheres). Eis um ranking interpretativo:

  1. Islândia — referência em licença-parental dividida entre pai e mãe.
  2. Noruega — pioneira na conscrição igualitária e forte apoio à paternidade.
  3. Suécia — políticas de licença parental entre as mais avançadas do mundo.
  4. Finlândia — investimento consistente em bem-estar e paternidade ativa.
  5. Dinamarca — sistemas de apoio familiar bem estruturados.

Importante ponderar: mesmo esses países não são um paraíso masculino. Vários deles ainda enfrentam taxas preocupantes de suicídio entre homens — prova de que apoio institucional não resolve sozinho a questão emocional. Vale lembrar também que culturas com forte valorização da figura paterna e do provedor tendem a respeitar o papel do homem de outras formas, ainda que por caminhos diferentes dos nórdicos.

A ressalva honesta

Aqui é preciso cuidado com leituras simplistas. O estudo do BIGI (Stoet & Geary, 2018) mostrou que, em países menos desenvolvidos, o homem aparece relativamente melhor que a mulher. Mas atenção: isso não significa que esses países “valorizam mais o homem”. Significa, na verdade, que as mulheres estão em forte desvantagem ali — sobretudo por terem menos acesso à educação. É a desvantagem feminina que puxa a comparação, não um cuidado especial com o homem. Confundir as duas coisas seria desonesto.

Respeito de verdade não é um troféu disputado entre os sexos — é uma via de mão dupla.

Conclusão

Não há um vencedor absoluto, e talvez a própria pergunta esteja mal formulada. Uma sociedade forte não escolhe entre valorizar homens ou mulheres: ela valoriza os dois. Os melhores exemplos não são os que protegem um lado às custas do outro, mas os que constroem leis e culturas em que ambos podem viver, trabalhar e cuidar com dignidade. Esse, sim, é o ranking que vale a pena perseguir.

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